24 março 2017

E lá fui eu de novo, prá mesa de cirurgia!

Lembram da minha fratura de clavícula, onde eu tive que colocar uma placa e 6 parafusos?
Pois é. Não sei como aconteceu o que eu vou relatar a seguir.
Talvez porque eu não paro quieto, talvez devido a má posição durante o sono, talvez devido aos procedimentos aconselhados pela fisioterapeuta, talvez uma urucubaca! Kkkkkkk
Em menos de um mês após a cirurgia, já achei que estava tudo bem voltar a trabalhar, por minha conta e risco (claro!), A cirurgia foi no dia 04/11/2015. Voltei a trabalhar no dia 01/12/2015.
Estava tudo bem, nada me incomodava e conseguia levar tudo numa boa.
No dia 15/12/2015, no retorno ao Ortopedista, tirei um raio X e estava tudo normal, como vocês mesmo podem ver:


No dia 18/12/2015, finalmente me chamaram para fazer a fisioterapia. Achei que já ia começar naquele dia, só que não, foi sómente uma entrevista com a fisioterapeuta para que ela soubesse das minhas condições na época. As sessões de fisioterapia estavam sobrecarregadas, não haviam vagas e tudo dependeria das condições do paciente - se fosse um caso urgente, eles dariam um jeito de encaixar, caso contrário, não. Visto que minhas condições eram boas, não fui encaixado e teria que aguardar vaga. A fisioterapeuta disse que enquanto eu aguardasse a vaga, eu poderia ir fazendo os exercícios em casa mesmo, que não eram difíceis e que ela me explicaria detalhamente na sequência, utilizando objetos caseiros como garrafas de água e cabos de vassoura.
Tudo bem. Saí de lá e iniciei os exercícios no dia seguinte. Fazia-os ao ar livre, sob o sol, pois assim já aproveitava e garantia a minha dose de vitamina D diária.
Só achei que a garrafa de água estava um pouco pesada para ser utilizada como instrumento de exercício, mas continuei fazendo assim mesmo.
No dia seguinte, esvaziei um pouco a garrafa para torná-la mais leve e continuei os exercícios.
No 4º dia, dia 22/12/2015, enquanto dormia, sentí uma dôr muito forte na clavícula. Pessoal, me considero uma pessoa muito abençoada porque com exceção desse dia e da hora que eu havia acabado de despertar da anestesia da cirurgia, nunca sentí dôr alguma na clavícula. Os Espíritos médicos estavam todos intercedendo a meu favor e até o presente momento, não sentí mais dôr alguma. A primeira coisa que me veio à cabeça, foi que a causa da dôr foram os exercícios de fisioterapia feitos em casa.
Parei de fazê-los a partir de então. Como eu já movimentava a clavícula durante o trabalho, achei que o próprio trabalho já seria uma ótima fisioterapia.
E assim foi. Continuei trabalhando numa boa e os dias foram passando, sem dôr alguma.
No dia 16/02/2016, no retorno ao Ortopedista, tirei um raio X e para minha surprêsa um dos parafusos havia saltado para fora da placa:


Não me recordo exatamente quando foi, mas é evidente que eu notei a cabeça do parafuso “forçando” a minha pele, justamente por ser uma região só com pele e sem músculos:


Não se assustem. Esse calombo na clavícula, próximo ao parafuso saltado, é o chamado calo ósseo. Após a fratura, o organismo é capaz de fabricar novamente o osso, envolvendo os pedaços quebrados, ocorrendo um aumento da espessura óssea, favorecendo assim a cicatrização, formando um osso tão sólido quanto antes da fratura - provávelmente esse osso está tão duro quanto o osso da clavícula esquerda, que não foi fraturado. Apesar que no meu caso cresceu tanto, que acho que seria um calombo mesmo! Kkkkkkk
O Ortopedista não me disse a causa do parafuso ter saído do lugar, disse apenas que “acontece”. Disse que naquelas condições, o parafuso poderia perfurar a minha pele e perguntou se eu gostaria de remover todos eles.
Pessoal, já pensou aquilo perfurando a minha pele????????
Não pensei duas vezes - quero operar!
Ele então me passou os exames de sangue para fazer e me encaminhou também para a Cardiologista, para saber se eu corria algum risco de complicação cardio-vascular.
Fiz os exames de sangue no dia 28/04/2016 e passei pela Cardiologista no dia 10/05/2016, que me mandou fazer um eletrocardiograma e um raio X dos pulmões.
No dia 17/05/2016, fiz o eletrocardiograma e no dia 02/08/2016, o raio X dos pulmões. Quando ví o laudo do raio X, estava escrito que havia um granuloma. Foi aí que eu comecei a ficar estressado. Já achei que estava com câncer e essas besteiradas todas.


Chegando em casa, já comecei a pesquisar tudo o que eu encontrava sobre granuloma nos pulmões. Pelo que eu pude entender, quando o granuloma tem a forma definida, é muito provável que seja benigno. Mas isso não me acalmou nem um pouco. Tinha que ouvir do próprio médico que aquilo não era nada.
O retorno à Cardiologista, levou uma eternidade. Não entravam em contato comigo e várias vezes tive que ir à Ouvidoria fazer a reclamação/cobrança.
Resumindo, a Ouvidoria disse que tentaram entrar em contato comigo, mas ninguém atendia o telefone. Agora eu me pergunto, deixei o meu telefone, telefone de recado e celular. Como é possível ninguém conseguir entrar em contato comigo??????
Enfim. No dia 12/12/2016, 7 meses depois, finalmente, retornei à Cardiologista. Ela analisou o eletrocardiograma, que estava OK, porém, o granuloma que apareceu no raio X dos pulmões, não sendo especialidade dela, me encaminhou ao Pneumologista. Me entregou um laudo, dizendo que eu estava apto para a cirurgia.
O Pneumologista foi marcado para o dia seguinte, 13/12/2016, o que me deixou mais encanado ainda, tipo “será que meu caso é de vida ou morte”? Mas segundo a atendente, era porque havia uma vaga no dia seguinte, então eu tive sorte.
O Pneumologista, por sua vez, disse que na opinião dele, aquilo não passava de uma cicatriz, ou seja, nada que eu devesse me preocupar, mas que por via das dúvidas, iria mandar eu fazer uma tomografia. Foi então que eu me lembrei que quando eu fraturei a clavícula, aquela região doía muito, já que a costela havia sido trincada. Então concluí que a cicatriz que o médico se referia, fosse a da costela trincada.
No dia 27/12/2016, um novo retorno ao Ortopedista, para levar os exames feitos. Os exames de sangue. que foram feitos no final de abril, já estavam obsoletos, ou seja, teria que refazê-los.
No dia 29/12/2016, fiz a tomografia. Estava com um pouco de receio, já que o Pneumologista pediu que fosse feito com contraste. Sou leigo no assunto, não sei muito sobre a gravidade de fazer uma tomografia com contraste. Chegando no laboratório, aguardei minha vez. Quando fui chamado, me disseram que fariam uso do contraste só se fosse estritamente necessário, caso contrário fariam a tomografia normal. Foi aí que eu dei uma relaxada!
No final das contas, não foi preciso usar o contraste e eu saí de lá aliviado: não é disso que eu morro! - mais uma etapa vencida!
No dia 10/01/2017, retornei ao Pneumonolgista com o resultado da tomografia. Não havia nada de ruim, a tomografia indicava que estava tudo OK com meus pulmões e eu estava liberado!
No dia seguinte, 11/01/2017, refiz os exames de sangue e no dia 31/01/2017, retornei ao Ortopedista com todos os exames e ele marcou a cirurgia para o dia 20/02/2017. Eu teria que estar no hospital as 7:00 hs da manhã. Deixei todas as minhas coisinhas prontas na véspera: algumas roupas, produtos de higiene pessoal, e claro, algumas comidinhas extras. Apesar de eu adorar comida de hospital, a comida daquele hospital é muito ruim! Kkkkkkk! Experiência própria! Não podia levar coisas que estragassem, então estava meio limitado. Acabei levando algumas frutas, bolachas, salaminho fatiado, 1 pepino japonês e 1 ovo cozido.
Acordei as 6:15 hs e fui caminhando até o hospital - aproximadamente umas 8 quadras. Não queria ir de carro porque eu teria que deixá-lo estacionado na rua, já que muito provávelmente, na melhor das hipóteses, eu só teria alta no dia seguinte. Mesmo que eu fosse de carro, e se eu não tivesse como dirigir na volta?
Fui atendido por volta das 7:30 hs. Se eu soubesse, teria dormido mais um pouco!
Depois de passar pelo médico e fazer as fichas de internação, finalmente, por volta das 9:00 hs já estava em meu leito. Haviam 2 camas no quarto, mas só eu de paciente - “antes só do que mal acompanhado”, pensei. 
Como eu já estava em jejum absoluto desde as 23:30 hs da noite anterior, o médico mandou preparar um soro glicosado para que eu não tivesse um ataque de hipoglicemia até o momento da cirurgia. A desgraçada da enfermeira teve a capacidade de me furar 3 vezes para colocar a punção venosa (acho que é assim que se chama), é tipo um cateter com uma agulha ENORME de silicone que fica espetada na veia para poder aplicar soro e medicamentos. Na primeira vez ela me furou e logo depois achou que a veia estava muito fina e tirou a agulha. Não acreditei que eu estava vendo aquilo. Não deu nem tempo de eu falar nada, só de pensar “essa maluca vai me furar de novo!”.
Na segunda vez, ela me furou, mas ao aplicar o soro, o ardência que eu sentia era tão grande que eu não estava aguentando, cada gota que pingava, parecia que estava cortando minha veia - então ela tirou de novo a agulha. Formou até uma bolota no local!
Na terceira vez, finalmente deu certo, pegou uma veia “boa” e ficou lá mesmo.
Cada vez que ela me furava, me dava a maior aflição em ver aquela agulha enorme e grossa entrando na minha veia!
Fiquei deitado na cama, aguardando me chamarem. Elevei meu pensamento aos Espíritos médicos para que me assistissem e intercedessem por mim. Tudo iria dar certo, tinha certeza disso!
A espera foi longa e a TV não pegava bem. Fechei a janela e tentei cochilar.
Finalmente por volta das 16:00 hs vieram me chamar. Me lembro de ter ido para o centro cirúrgico e de ter deitado na mesa de operação. Aplicaram um remédio na minha punção venosa e foi me dando uma tontura….. tudo girava……. 
Quando acordei, a cirurgia já havia sido finalizada. Não parava de tossir. Alguma coisa arranhava minha garganta e me incomodava muito. Disseram que era por causa da anestesia. 
Heim???!!?!?!?!?!?!
Voltei para o quarto por volta das 18:00 hs, depois de tirar um raio X da clavícula:


Como vocês podem ver, totalmente limpinha, sem nenhum corpo estranho atarraxado à ela!
Bom, continuando, chegando no quarto, logo de cara, já percebí meio que incomodado, que colocaram mais um paciente no outro leito. Eu ainda estava na maca e as enfermeiras queriam me passar para o leito. Como eu não sentia dor nenhuma, pedí a elas que me ajudassem a sentar na maca (“Como? Você acabou de passar por uma cirurgia! “ disseram indignadas) e por conta própria, me deitei no leito.
Logo fiz amizade com meu companheiro de quarto, já que eu estava perguntando onde tinha um bebedouro de água para a enfermeira e os familiares dele, me ofereceram a água geladinha da garrafa térmica deles, tipo insistindo. Aceitei. O outro paciente havia literalmente moído o cotovelo num acidente de trânsito! Ele estava com um fixador externo, um trambolho enorme que perfurava a pele e atravessava os ossos e se queixava frequentemente da dor que sentia. Foi nessa hora que, novamente, eu me sentí um ser abençoado por ter corrido tudo bem e não ter sentido nem dor.
Estava sem fome, mas com um pouquinho de náuseas. No local da cirurgia, a pele repuxava um pouco acredito eu, por causa dos pontos, mas não sentia dor. A tosse não passava.
Fui comer depois das 23:00 hs - uma sopa que já estava fria e metade de um pepino, o que eu havia levado por precaução. Não estava com fome ainda, mas como logo seria hora de apagar as luzes, não queria ficar incomodando meu vizinho de cama, acendendo a luz no meio da madruga. Poderoso aquele soro glicosado heim, pensei eu! A essas horas ainda sem fome? O bom, foi que não dava vontade nenhuma de ir ao banheiro, nem prá fazer xixi! Afinal não havia nem água no meu estômago!
A tosse me atormentou a noite toda. Não fosse isso, teria dormido bem. Segundo a enfermeira da madrugada, a tosse era devido ao ar-condicionado do centro cirúrgico, que é um verdadeiro freezer.
No dia seguinte, na parte da manhã, um dos médicos foi lá no quarto e disse que eu já podia voltar para casa.
Tomei o café da manhã . No pão que me deram, eu coloquei algumas fatias de salaminho, que eu também havia levado por precaução e depois comí uma maçã, que eu “idem”! Kkkkkkkkkk 
Eu ganhei um pão de leite e meu vizinho de cama, sua acompanhante e uma outra visita, ganharam pão francês. Não sei porque só o diabético (eu) teve o privilégio (ou o azar?) de ganhar um pão de leite, já que todos eles são feitos com farinha branca. Eu acho que o pão francês ficaria infinitamente mais saboroso com o salaminho…… mas só pude achar mesmo……..
Mais tarde preenchí questionários sobre o atendimento, burocracia vai, burocracia vem, fiz um pouquinho de fisioterapia para correr o sangue no corpo, e dorme…… e medem minha pressão, que por sinal esteve ótima o tempo todo, variando de 10 por 7 para 12 por 8 e dorme……..
Quando me dei conta, já era quase hora do almoço. Resolví ficar para o almoço então! Kkkkkkk
Uma comidinha simples, mas deliciosa (achei que melhorou - será que foi por causa da nova direção?): arroz, feijão, repolho refogado e carne moída. E claro, as precauções que eu havia levado: a outra metade do pepino e de sobremesa, uma ameixa.
Ah, depois disso, a tosse finalmente passou mas eu já tinha tossido tanto até então, que eu sentí que acabou inflamando a garganta! Aff…….
Detalhe: sobraram as bolachas e o ovo cozido, que eu não comí.
Saí do hospital por volta das 12:30 hs. Segundo a assistente social, não havia mais o serviço de leva e traz, de forma que eu tive que voltar andando prá casa, afinal o que são 8 quadras? Não fosse o impiedoso sol escaldante do meio-dia e as 2 mochilas que eu levei, não seria nada.
Já comecei a fazer “minhas coisinhas” no mesmo dia, já que não estava incomodando, mas, com muuuuuito cuidado para não abrir os pontos, se não, não há Legião de médicos que dê conta, né?
Finalmente, no dia 8 de março retirei os pontos e não terei mais que retornar ao ortopedista.
Mais uma missão (?) cumprida!
E vamos que vamos, seguindo em frente!

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